OuvidoChão em nova etapa: Elaborando nosso ambiente sonoro!

Pai Paulo de Ògún, Irla Franco, Thaís Rosa. Foto: Gabriel Muniz

Agô!

A semana passada foi bastante intensa, o tempo ficou corrido para manter as atualizações deste diário de bordo de nosso projeto. Nesta ocasião, OuvidoChão – Cartas Quilombolas encerrou a etapa de pesquisa/desenvolvimento, de nossa ArtSonica Residência Artística.

Em meio a tantas atividades, aqui compartilhadas em nossas postagens, a dupla formada por Gabriel Muniz e Irla Franco ainda mediou o PapoSonica , evento em que eles puderam aprofundar as relações entre geografia, sonoridades, design e tecnologia (veja o registro completo em vídeo). Tivemos uma ótima presença e participação do público na conversa, de onde surgiram retornos importantes sobre os caminhos para a representação das paisagens sonoras do Cais do Valongo, Magé e Camorim.

Nos dias seguintes ainda fizemos mais gravações: as camadas de música e voz das nossas cartas quilombolas foram intensamente registradas pelo percussionista Elias e pela intérprete Taís, parcerias que encontramos no processo de pesquisa. Em breve teremos amostras desse encontro tão frutífero. Também estivemos novamente em Magé, para um passeio pelo terreiro Ilé Asé Ògún Alakòró / Quilombo Quilombá : O babalorixá Paulo de Ògún nos acompanhou em um roteiro onde falou da importância das plantas em nossa ancestralidade.

Pois é, finalizamos então um período de bastante intensidade nos encontros e percursos por alguns territórios negros do Rio de Janeiro e Baixada Fluminense. Nossos residentes entram agora na etapa de construção da obra, algo que, de certa forma, já vinha ocorrendo em paralelo à pesquisa. Gravações e rascunhos da obra, além de reuniões com parceiros para pensar a estrutura aconteceram e lançaram as bases para nossa instalação.

Agora é o momento de concentrar na produção e finalização do nosso projeto, que será lançado em meados de julho, junto ao trabalho das outras 9 residências. Em breve vamos lançando mais novidades e algumas amostras do andamento aqui mesmo pelo diário de bordo. Agradecemos a todas as pessoas queridas que proporcionaram a riqueza e o dinamismo necessários para a nossa obra. Axé para todxs nós!

 

Mês de Fevereiro e o foco nas coletas de som

Gabriel Muniz, Thaís Rosa, Negalê Jones, Irla Franco

Saudações,

Fevereiro chega com  as últimas semanas de pesquisa / desenvolvimento de OuvidoChão – Cartas Quilombolas e já temos bastante material bacana para o nosso ambiente sonoro/visual imersivo!

Nos concentramos nas gravações de campo, decupagens de material, reuniões para o design da obra e também de nosso evento PapoSonica: Dia 21/02 iremos apresentar umas reflexões entre os campos da geografia, design, arte e tecnologia, territórios negros, oralidade e narrativas.

Em Magé os encontros são sempre renovadores: fizemos reuniões com o pessoal do Quilombo Quilombá, além de coletas de som (binaural, multicanal, stereo) de ambiências e falas. Após esta gravação em meio rural, fomos direto para o ambiente urbano do Cais do Valongo, onde continuamos gravando. No vídeo abaixo os residentes Irla Franco e Gabriel Muniz fazem um experimento de sonoridades com o Urucum, no território do Ilé Asé Ògún Àlákòró:

Também continuamos nos reunindo e conectando possibilidades com artistas do Rio. Visitamos o Complexo do Alemão para conhecer a Casa Brota, espaço onde funciona o coletivo Gato Mídia. Nesta ocasião encontramos também com Thaís Rosa, do projeto Conectando Territórios, que trabalha com quilombos e outros territórios negros do estado.

E nesta segunda (11-02-2019) lá no LabSonica conversamos novamente com a Thaís, no mesmo dia  quando tivemos a reunião com Negalê Jones, artista com quem já vínhamos mantendo contato. Falamos bastante do design e da estrutura de nossa obra, fizemos um bom quebra-cabeça de possibilidades tecnológicas, além de outras possibilidades de parceria.

E dando continuidade às gravações, na terça coletamos material sonoro multicanal e binaural no Camorim, Jacarepaguá. Infelizmente, devido às chuvas, encontramos um lugar bastante impactado: muros e barreiras desmoronados, postes ao chão, tentativas de reconexão de energia. Mas ainda assim a comunidade vai se reconstruindo, retomando sua permanência no local.

Quanto a nós, nestes dias de chuva estamos nos focando no design da obra, decupagens, agenda de coletas de som de arquivo e novas gravações, de camadas de voz e música, além do PapoSonica da semana que vem. É gratuito, veja como se inscrever aqui no evento. Esta é nossa ArtSonica Residência ArtísticaOuvidoChão Cartas Quilombolas. Em breve teremos novos relatos de nosso processo. Acompanhe aqui pelo diário de bordo!