Atividades de campo da nossa quinta semana de trabalho!

Ilé Àṣẹ Ògún ÀlákòróBongaba, Magé, RJ

Gabriel Muniz, Irla Franco, Katiúscia Ribeiro, Bàbá Paulo José de Ògún

Agô!

Dando continuidade ao relato destas duas primeiras semanas de trabalho com a ArtSonica Residência OuvidoChão – Cartas Quilombolas, chegamos à nossa quinta semana, que têm sido bastante corrida, porém gratificante.

Nossa proposta poética / narrativa tem amadurecido bastante, bem como nossa caminho estético para a estrutura da obra. Os encontros e reflexões desta semana foram bastante importantes neste sentido. Na segunda-feira retomamos contatos para compor nossa agenda de visitas e gravações de campo. Já na terça fizemos uma breve reunião de equipe enquanto visitávamos as exposições do Museu de Arte do Rio. Conversamos com algumas profissionais do MAR, bastante atenciosas e colaborativas.

Na quarta-feira (16-01-2019 )tivemos um dia bastante intenso, de trocas valiosas. A convite de Katiúscia Ribeiro, doutora em Filosofia UFRJ, companheira gaúcha que conhecemos durante o processo de luta pelo território do Quilombo da Família Lemos (Porto Alegre-RS), saímos pela manhã bem cedinho para conhecer o Ilé Àse Ògún Àlákòró. O terreiro fica no Quilombo Quilombá, recentimente certificado pela Fundação Palmares, no munícipio de Magé, Baixada Fluminense. Fomos recebidos de maneira muito acolhedora por todas e todos ali presentes, acompanhados por uma esplendorosa sinfonia de silêncio e cigarras.

A partir deste contato com o terreiro, integrante do Quilombo Quilombá, aprofundamos muitas das ideias sobre nossa agricultura dos sons, em um processo imersivo e afirmativo de nossa presença naquele chão conectado ao sagrado das religiões de matriz africana. Em breve falaremos um pouco mais desta reconfiguração de nossa abordagem.

No mesmo dia, quando ainda na zona rural enfrentamos uma intensa onda de calor, retomamos ao centro urbano do Rio, Cais do Valongo, ainda mais abrasivo. Tínhamos combinado a gravação de um roteiro guiado por Antônio Rodrigues, do Instituto de Pretos Novos – IPN. Acompanhados por um pessoal bem bacana de Belo Horizonte, fizemos um roteiro que saiu do Largo São Francisco da Prainha, subiu a cadeia de morros iniciada pelo Morro da Providência, passamos pelos Jardins Suspensos do Valongo, percorremos a Rua Sacadura Cabral e finalizamos assistindo um vídeo sobre o Cemitério dos Pretos Novos, no próprio IPN. Quarta-feira bastante produtiva!

Já na quinta-feira começamos a trabalhar algumas escutas e decupagens, bem como a continuidade das reflexões conceituais e esboços técnicos / estéticos para nossa obra. E hoje, após esta atualização do diário de bordo, teremos outra reunião de equipe lá no LabSonica, no intuito de atualizar o cronograma de gravações; reuniões de planejamento da obra; escutas / decupagens / croquis; e também nossa apresentação no In Process ArtSonica, evento de socialização do processo de pesquisa / produção das residências apoiadas pelo LabSonica / Oi Futuro.

É isso aí, cremos que deu para fazer um balanço de tanta coisa bacana que temos vivenciado, né? Em breve teremos mais postagens, socializando também as mudanças de abordagem ocorridas durante nossa residência OuvidoChão. Continuem com a escuta atenta, já já tem mais novidades!

 

2019 e um mergulho pelas terras fluminenses!

Agô!

OuvidoChão – Cartas Quilombolas continua sua empreitada em 2019 na velocidade do som! Na semana passada (segunda 07/01) retornamos do recesso de fim de ano bastante focados na imersão pelas paisagens sonoras de territórios negros do Rio. Chegamos numa etapa em que os recortes e abordagens têm sido melhor delineados, o que vem exigindo um aprofundamento da equipe e a busca pela sincronia nos encontros com parceiros.

Desde o começo do ano temos debatido um aprimoramento de nossa narrativa para a obra, o que demandou uma concentração nas atividades de campo. Ainda na semana passada tivemos reuniões de equipe que nos deram estes encaminhamentos. Continuamos visitando espaços e atividades dos territórios, e desta vez captando um material mais harmônico.

Estivemos mais uma vez no espaço de exposições do Oi Futuro para pensar a estrutura da obra, espacialidade e possibilidades de interação, filtrando ideias  que melhor se adequarão ao nosso processo. Também estivemos em um evento sobre a Memória e Ancestralidade no Cais do Valongo, organizado pela Casa da Tia Ciata. Ao debate seguiu-se uma roda de jongo e o tradicional Samba da Cabaça. Pudemos neste momento captar mais um material valioso para a escrita do nosso roteiro de gravações.

E no domingo fomos apreciar no Aterro do Flamengo a apresentação do grupo percussivo e de dança Tambores de Olokun, que traz em sua bagagem elementos do maracatu nação, bastante popular em Pernambuco, bem como outras manifestações culturais afro-indígenas. Este encontro nos levou a refletir bastante sobre o trânsito entre identidades regionais e étnico-raciais, algo bastante significativo para uma proposta de Porto Alegre realizada por pernambucanos no Rio de Janeiro…

No próximo capítulo do nosso diário de bordo traremos mais novidades desta semana, que foi bastante rica, entre outras coisas, por conta de nossa primeira visita aos território negros quilombolas de Magé, na Baixada Fluminense. Amanhã traremos essa e as demais novidades!

 

Processo criativo em constante ebulição!

Vitória Cribb, Gabriel Muniz, Irla Franco

Boas tardes! O tempo voa e a equipe de OuvidoChão – Cartas Quilombolas acaba de fechar a terceira semana da ArtSonica Residência Artística. Nos últimos dias fizemos rascunhos da obra, recortes de conteúdos, pensamos as dinâmicas de interatividade e diversas outras possibilidades que continuarão sendo aprimoradas no decorrer dos próximos dois meses.

Para isso, tivemos ontem (20-12-2018) uma reunião no espaço do LabSonica / Oi Futuro, de onde saíram caminhos para abordagem técnica / estética e para condução das pesquisas de conteúdo – social e político. Como registro do processo e também como forma de experimentar possibilidades para a dimensão estética de nossa obra, temos realizado alguns experimentos audiovisuais, como nas vinhetas abaixo:

Nesta vinheta, gravada na própria reunião, as imagens foram captadas no Rio de Janeiro. A trilha sonora é um mix de uma jam entre o Mestre Jaburu (Berimbau) e Seu Tilmo (Serra Elétrica) gravada no Quilombo Família Fidélix, Porto Alegre-RS; e de um ruído de fonte desconhecida, parte da paisagem sonora do Vale do Catimbau, agreste pernambucano.

Esta outra vinheta foi gravada no domingo 16-12-2018 durante a oficina Plantas e Circuitos, facilitada pelo nosso parceiro Negalê Jones durante o evento Oi Conexidades. Quem acompanha nosso Instagram já deve tê-la visto, as imagens e sons foram feitos com um celular, que captou os ruídos das conexões de algumas plantas no circuito que montamos.

E hoje, como continuidade de nossa pesquisa de campo, visitamos o Museu do Negro-RJ, no centro do Rio (veja imagens abaixo). Ao presenciar o acervo do espaço, discutimos um pouco mais sobre as referências da presença da negritude no centro da cidade, que se reflete ainda hoje na agitação do comércio da Rua Uruguaiana.

Desta maneira, fechamos com chave de ouro a terceira semana de trabalho intensivo e gratificante. A partir de agora entraremos no recesso de final de ano e retomaremos nossas atividades no dia 07 de janeiro. É isso aí, ano que vem vamos chegar com mais novidades, desejamos uma boa passagem de ano para todas e todos. Axé!

 

 

OuvidoChão Semana III: esboços e experimentos criativos!

Gabriel Muniz, Vitória Cribb, Negalê Jones

Saudações!

A equipe de OuvidoChão – Cartas Quilombolas entra na terceira semana de residência animada para experimentar possibilidades estéticas e tecnológicas. A partir de encontros e vivências que temos participado, trocamos ideias com artistas negros aqui do Rio, com os quais iremos combinar novas reuniões para pensar, além das nossas cartografias sonoras de territórios negros, outras propostas de trabalho coletivo.

No domingo participamos da oficina Plantas e Circuitos, facilitada por Negalê Jones durante o evento Oi Conexidades. Lá também encontramos a artista visual Vitória Cribb, com quem já vínhamos fazendo contato. Conversamos com os dois para propor uma parceria criativa na elaboração estética e desenvolvimento tecnológico a partir de seus trabalhos com eletrônica e realidade aumentada no contexto da produção artística.

Ouça abaixo a sonoridade que tiramos de algumas plantas:

 

Estivemos em Jacarepaguá na segunda-feira para conhecer o território do Camorim, onde existe um quilombo de mesmo nome. Fomos recebidos por um morador local, Luiz Paulo, que trabalha com geografia e roteiros culturais na região. Ele nos apresentou bastante informações sobre  a formação histórica, geográfica e cultural da região de Jacarepaguá, aprofundando-se na presença e importância social e política das pessoas negras escravizadas e de sua descendência, ainda forte no território.

A partir destas vivências, nesses últimos dias temos pensado de forma cada vez mais concreta nosso recorte e abordagem em termos de forma e conteúdo. Até a sexta-feira teremos encontros internos dos residentes, com as parcerias e com nossa mentora Diane Lima. Esboçaremos um planejamento de captações de som e imagem com recortes geográficos e temáticos no intuito de organizar o roteiro para coleta dos conteúdos e construção estética de nossa obra. Em breve traremos mais novidades!

 

Encontros, parcerias, achados e ideias para as cartas quilombolas!

Os nossos residentes Irla e Gabriel; ao centro Gracy, bisneta da Tia Ciata.

Salve salve!

Esta semana tivemos atividades bastante ricas para o desenvolvimento da nossa ArtSonica Residência Artística OuvidoChão – Caras Quilombolas. Tivemos diversos encontros, firmamos parcerias, encontramos diversas referências que trarão ótimas possibilidades de abordagem para nossa cartografia.

Na terça nos reunimos e entramos em acordo de parceria criativa com o pessoal da Casa da Tia Ciata e do IPN. Devemos aprofundar a relação com o território participando e registrando algumas das atividades promovidas por estas instituições, na região do Cais do Valongo.

Já na quarta-feira fomos em Jacarepaguá conversar com pessoas ligadas aos territórios negros e quilombos da região. Combinamos para a próxima semana um outro encontro, onde faremos um percurso histórico, geográfico e cultural nestes espaços, também fazendo captações de som e imagem.

A quinta-feira foi de pesquisa diretamente no Arquivo Nacional, onde procuramos principamente por registros sonoros e cartográficos destes territórios. Ainda devemos fazer mais visitas, para filtrar melhor todas as referências. Encontramos nestes dias muitas obras que irão contribuir em nossa elaboração do projeto da obra, que deve acontecer nesta próxima semana.

E hoje ainda devemos participar da Roda de Samba da Cabaça, evento organizado pela Casa da Tia Ciata, continuidade da tradição iniciada pela matriarca do Samba. Semana que vem temos mais pesquisa e produção. Até lá!

Nossa pesquisa de campo segue em curso

Dando continuidade à nossa pesquisa de campo para a residência OuvidoChão – Cartas Quilombolas, neste fim de semana visitamos alguns espaços culturais nas regiões do Cais do Valongo e Baixada Fluminense.

No sábado, vimos uma exposição sobre a Geografia do Samba, no Museu de Arte do

Rio (MAR); conhecemos o espaço do Instituto de Pesquisa e Memória Pretos Novos (IPN), com quem já combinamos outra visita; e aproveitamos a proximidade para passar no Museu da História e Cultura Afro-Brasileira (MUHCAB), onde vimos exposições de arte contemporânea negra e várias possibilidades de abordagem artística para nossas cartografias.

Já no domingo fomos conhecer a Vila Operária / Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, onde presenciamos o último dia do evento de grafite e hip hop Meeting of

Favela (MoF) e colhemos informações e contatos sobre territórios negros e quilombolas em Duque de Caxias e Magé.

Esta semana estamos visitando outros espaços para retomar alguns diálogos para fortalecer nossa abordagem. Nesta segunda-feira fizemos contatos e a partir de hoje teremos mais reuniões com instituições do Cais do Valongo, com representantes dos Quilombos de Jacarepaguá, além de nossa reunião semanal de equipe.

Algumas imagens da pesquisa de campo:

Iniciamos nossa residência artística no Rio!

Saudações!

Estamos bastante felizes de anunciar a partir deste nosso diário de bordo o início dos trabalhos do projeto OuvidoChão – Cartas Quilombolas. Nosso primeiro dia oficial de trabalho foi na última segunda-feira (03-12-2018) e começamos nesta primeira semana as sondagens de territórios, fortalecimentos de parcerias, reuniões da equipe de residência e recepção organizada pelo pessoal da ArtSonica, que nos deram as boas vindas apresentando o espaço do LabSonica.

Estamos retomando antigos e fazendo novos contatos com gente bastante interessante, cineclubistas, produtorxs audiovisuais, residentes e diversas pessoas com as quais temos sintonizado diversas frequências sonoras e afetivas. Algumas parcerias criativas já têm sido estabelecidas e muita coisa bacana vem por aí.

No âmbito de nossa pesquisa temos retomado e ampliado leituras sobre os territórios negros da região metropolitana, estudado a viabilidade técnica para as captações e finalizações de som e imagem, amadurecido nosso cronograma de trabalho a partir do contato e visitação de instituições e territórios, além da elaboração desta plataforma, que fará a socialização de nossa caminhada em terras fluminenses.

Abaixo temos algumas imagens de nossa visita à Casa da Tia Ciata (matriarca do samba).  Na última terça-feira falamos com sua bisneta, representante do espaço, com quem devemos aprofundar possibilidades de abordagem sobre a região do Cais do Valongo. Em breve traremos mais novidades sobre o processo de pesquisa e elaboração do nosso ambiente sonoro, instalação transmídia que comporá uma exposição junto às nove outras residências da ArtSonica. Continuem nos acompanhando!