Agricultura dos sons: colheitas e plantio

Saudações!

Chegamos a sexta semana de pesquisa / elaboração de nosso ambiente sonoro. E nesse período tivemos um grande desenvolvimento de nossa abordagem sobre as paisagens sonoras  em territórios negros. Gostaríamos de falar um pouco do aprofundamento de nossa poética, que amadureceu bastante a partir dos encontros e desencontros ocorridos desde o começo da residência.

Na nossa proposta inicial falávamos de uma poética da agricultura dos sons como uma perspectiva de observação das paisagens / espaços de negritude e territórios quilombolas. Seguíamos, até então, uma narrativa que se aproximava mais de uma construção documental, talvez pela nossa experiência com cinema / audiovisual.

No contato com os territórios e também ao refletir sobre os trânsitos simbólicos e identitários nos lugares que visitamos pelo Rio, somados ao nosso próprio referencial de lugares de origem e de memória afetiva, temos realizado contatos de ordem mais imersiva e participativa. Revisitando o conceito geográfico de paisagem, reavaliamos nosso lugar de observação que, anteriormente, era um tanto dissociado dos territórios, percebidos como uma alteridade.

A partir disso, reconfiguramos nossa abordagem para uma perspectiva mais imersiva, incluindo a nós mesmos, observadores, também como sujeitos componentes daqueles espaços. Sendo assim, a perpectiva da agricultura dos sons contemplará não somente as colheitas, mas também o plantio de nossas sonoridades e refereciais simbólicos, obviamente guardando o devido respeito ao lugar que nos recebe.

Percebendo os trânsitos geográficos e referenciais de identidade negra na própria dupla de residentes, passamos a refletir sobre como traçar um diálogo transregional no contato com os territórios negros no Rio de Janeiro. Uma proposta oriunda do Rio Grande do Sul, realizada por pernambucanos, com dois pezinhos na Bahia…  Quatro estados com culturas / territórios / histórias de presença negra bastante significativas.

Passamos a observar pela escuta as similaridades e também as diferenças entre estas várias negritudes brasileiras e achamos interessante aglutinar esses referenciais, pela dinâmica do encontro. Desta maneira, nossa perspectiva da agricultura dos sons busca uma elaboração artística que mescla os fragmentos das paisagens sonoras e gráficas que trazemos enquanto pessoas negras, com aquelas que encontramos no contato com outras pessoas e territórios negros no Rio. No nosso processo de construção iremos desenvolver mais esta ideia, ainda em gestação, plantio. Esperamos gerar uma colheita bastante rica!

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